A pergunta da moda, um clichê já registrado: “Para onde as pessoas estão indo à noite?” Essa pergunta se torna recorrente sempre que alguma casa noturna fecha as portas de vez, aquela onde se encontrava vários dos insuportáveis guetos da cidade. No entanto, o engraçado é que ninguém agüentava mais ir lá, todo mundo difamava o local, mas é só acabar pra bater o vazio. Falo por mim, claro, ninguém e todo mundo aqui sou eu. Então o que resta é ir para aquela ruazinha, onde se torna impossível o uso do salto alto, e mendigar uma mesa com algumas cadeiras. Encontrando-as a noite não fica melhor, mas se você conseguir umas cadeiras a mais, aí é sorte e tem que saber como aproveitá-la. Aconteceu sexta passada e nos divertimos usando como uma nova cantada, “Procurando cadeira, senta aqui”*, e de outra forma politicamente incorreta, negando para quem estava a procura, “Posso pegar uma?”, daí segue uma expressão de desolação* da nossa parte e um Ô, tá tudo ocupada, ó! Aquelas coisas que não deviam ser engraçadas, mas são. Reminiscências da infância.
No bar, com bons amigos, mesmo lutando um pouco com a caixa de som, vêm as boas conversas, um estudo antropológico pode ser iniciado, com reflexões, pesquisa de campo, conclusões. Por exemplo, o que pude observar entre a quinta ou sexta cerveja, uma análise sobre a questão bissexual. Esse povo sofrido!
O Rapaz se envolve completamente com uma garota, namora, acaba, namora outra. Mas, entre cochichos, comenta-se seu namorinho com outro carinha aí. O que se diz, então? “Pra cima de mim? Isso aí gosta mermo é de pau.” Agora outro caso, para bem embasar a pesquisa. A menina (Oi!) namorava um cara aí, beijava outro alí, de repente, pá, aparece com uma namoradinha. Então, então e então, o que se diz a respeito dela? “Pra cima de mim? Isso aí gosta mermo é de pau.”
Conclusão 1: Os valores machistas estão realmente muito bem enraizados na cultura brasileira, assim, até o talo.
Conclusão 2: Os bissexuais nunca serão compreendidos!
Diálogos Hipermodernos 2
- Coisa boa ficar de bobeira aqui na praça, né?
- É.
- ...
- Está vendo isso? Esses caras olhando?
- To, é chato ser bonita, né.
- É viu... Mas, sei não, tá estranho, não será um assalto?
- É, taí, agora não sei, esconde a bolsa.
- Estão olhando ainda, deve ser paquera.
- Hm... não sei, to começando a achar que é assalto.
- Não, é paquera, tão olhando, mas tá estranho...
- Ô dúvida! Vamos embora?
- Bó.
* Créditos da cantada: Ruth Ramos.
**Créditos da expressão de desolação: Ruth Ramos.
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