quinta-feira, 4 de setembro de 2008

maconha e dor não é uma boa combinação.

ok, eu confesso: tenho um blog secreto.
e ele é tão lindo...
mas é secreto.

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2. Como Narrativa (Romance, Paixão), o amor é uma história que se realiza no sentido sagrado: é um programa, que deve ser cumprido. Para mim, ao contrário, essa história já teve lugar; pois aquilo que é acontecimento, é o único rapto do qual fui objeto e do qual repito que vem depois (e falho). O enamorado é um drama, se quisermos devolver a essa palavra o sentido arcaico que Nietzsche lhe dá: "O drama antigo tinha em vista grandes cenas declamatórias, o que excluia ação (esta tinha lugar antes ou atrás da cena)". O rapto amoroso (puro momento hipnótico) tem lugar antes do discurso e atrás do proscênio da consciência: o "acontecimento" amoroso é de ordem hierática: é minha própria lenda local, minha historinha santa que declamo para mim mesmo, e essa declaração de um fato consumado (imóvel, embalsamado, afastado de todo prazer) é o discurso amoroso.

R.B.

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Quando acordei ontem e sentia dores, previ uma daquelas crises renais, daquelas que me levam ao limite da dor, rolando no chão, gritos, berros, lágrimas, vômitos e pedidos de morte. Fiquei assustada, mas o que fazer? a dor aumentava gradativamente. Comecei a fazer testes: me distrair, não me deixar abater, não deitar na cama como uma enferma, andar andar andar andar, parar, internet, facebook, música... não funcionava. Maconha. Meu namorado diz que maconha é bom até pro câncer, e a sensação de relaxamento, precisava relaxar essa dor. Fumei um fininho já preparado fácil a mão. Pronto, então eu sentia dores e estava chapada, uma enferma existencialista, uma surtada, comecei a chorar. Compreendi, a culpa era da minha mãe, toda da minha mãe, eu nunca iria conseguir me virar só. A dor que eu sentia como cólica era a asma da infância. A dor está na minha alma e não numa parte específica do corpo. Eu sou doente porque nasci doente e dependente. Rezei um pai nosso e três ave marias. Um padre nosso e três ave marias, porque a mãe conta mais. Enquanto eu "filosofava" a dor aumentava, às vezes diminuia, eu estava prestes a me curar mas me rendi: Liguei pro meu pai, afinal só ele poderia fazer algo por mim, meu pai lá no Ceará, coitado, colocou o coração na mão e disse pela milésima vez que eu não podia ficar aqui sozinha. Depois fui pro hospital, tomei buscopan na veia e fim. Acho que estou viciada em buscopan.