quinta-feira, 30 de outubro de 2008

sou solitária e meio puta, mas ainda saio do subsolo.

estou arrependida dos emails desaforados, mas vou manter a decisão, pelo menos até a próxima tpm. Não precisa entender, se tiver alguém aí do outro lado.
talvez não tenha, sabe, é até legal, porque de algumas coisas que eu publico aqui, algumas vão pro próximo livro, aí eu posso chamar de inédito.

isso é óbvio que não vai.

então vou contar meu sonho que foi incrível. e eu vou fazer o quê, quando meu sonho é mais estonteante que essa vidinha monótona e em espera que arrasto? Contar né, registrar, no mínimo.

O probrema é que sonho, perde-se muito. Essa minha memória de peixe e fraca capacidade de tradução - ou capacidade de literatura surrealista. No mínimo é um exercício, vamos lá.

Eu estava num conto do Rubem Fonseca. Primeiro eu pensava que era do Nelson Rodrigues, simplesmente porque não conseguia lembrar do nome do Rubem Fonseca. Mas acho que era Rubem Fonseca mesmo, ou era dos dois?
Dentro de um carro, um senhor gordo bem branco, uma pele de bebê esticada. Meio estranho. Começa a história. Ele tinha alguma paranóia e eu pensava: Puta que lo pariu, Rubem Fonseca é escroto, eu sei que essa merda não vai acabar bem, sem final feliz pra mim. Blá blá blá, a história desenrola, eu esqueci. Pula. Eu estou numa bicicleta, numa rua ridiculamente estreita, e os carros tentam desviar, mas vão encostando, alguns. Depois eu sei que vai acabar vindo o doido do carro e passando por cima de mim de propósito e digo: Não, pára. Conte a história apenas, leia em voz alta, é melhor.
Uma mulher de lá pelos trinta, bonita, cabelo preto. Uma beleza década de oitenta. Lê para mim e, no que vai lendo, parece que vai me contando e é uma personagem, e suas palavras quase incomodam, seu jeito de falar, etc. Mais uma vez estou dentro de um conto, o enredo é ela me contando uma história.

Arrá, moral da história (que eu fui pensando deitada ainda, recolhendo lembranças do sonho, buscando sentido entre uma e outra. Provavelmente moral errada): Essa mulher era eu, ou alguém ou a Dulcinéia. O sonho foi uma metáfora da ficção do Rubem Fonseca e do meu conto monólogo, meio autobiográfico quando se pensa que Dulcineia sou eu. Compreende, meu caro Watson?
Moral dois: acho que estou mesmo doente.

Blog é diarinho de besta, de exibido. Por isso não pode receber outro julgamento. Veja esse texto, é quase uma crônica, mas é blog, é fluido, é uma conversa franca, direta, e eu estou me fodendo. Podia estar escrevendo no caderninho lindo que ganhei do meu namorado, podia estar falando pra um amigo na mesa do bar. Sendo que ele não teria tanta paciência e ia ficar fingindo que está me ouvindo, sendo que não tem bar nem tem amigo - eles ficaram a quilômetros de distância, com nossas músicas de fossa, nossas vódcas roubadas, nosso falar mal dos outros e rir de nós mesmos - então tem blog. Mas literatura, para mim, é muito mais do que um lugar preu compensar minha falta de platéia. E nisso,  tem Clarah Averbuck que tem lá as coisas dela que me comovem, como Fernanda Young, Maitê Proença... E olha que eu já li todas, Maitê tá até no Melhores Crônicas do Século! Falta só ganhar o Jabuti.
Então, esse é meu julgamento - adoooooooro.
Porque eu estava falando nisso mesmo?
Mais um trago.

p.s.: mais importante que aprender a escrever, é aprender a ler.

p.s.2: Alguém me disse que, quando escrevo, algo fenece em mim de mais próprio. Deve ser a alma.
Frase para lápide, segundo meu sábio namorado. Veio junto com as lembranças do sonho, porque adoro uma mística.

por hoje chega, fiquem com deus.