terça-feira, 28 de outubro de 2008

a vida é líquida

A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
Hilda Hilst - Alcóolicas

Ah, a vida é líquida!

Mas também pode ser pastosa e morna, sem gosto, quase amarga.
Estava dizendo isso porque acordei cansada e triste. Não queria levantar. Pior ainda estava doente. Então sonhei um sonho doido e fui feliz. Tudo se punha em ordem mesmo que bagunçado, não consigo fazer alguém visualizar o que foi, ou sentir tal felicidade que me foi dada pela desordem. Mas, digo, estive em festas, que não eram aqui, nem alí, nem aí, outro lugar do passado. Era esse lugar do sonho, que podia se parecer com todos. Então, em um momento estive a bailar. Deslumbre: Eu encontrei um anjo e ele era lindo. Vestia-se como uma rapaz delicado, calça social, normal, o cabelo tinha algum corte não observei muito. Eu pensei que era meu namorado quando ele me pegou pelo braço e ficamos dançando no ar. Num impulso tiramos os pés do chão. Nos enlaçávamos, o que podia ser uma dança ou um quadro de Rubens. O anjo me levou para conhecer e ver muitas coisas, pessoas... Quase desagrádavel a realidade que ele apresentava, mas eu estava tranqüila, ali em cima, invisível, olhando o futuro. Depois, com um beijo, ele colocou em minha boca uma gosma pastosa e morna, sem gosto, quase amarga. Eu não consegui engolir. Ele me mostrou sua verdadeira face, eu estava bailando com Lúcifer. Bem clássico, não?


segunda vez que ele aparece pra mim, se acontecer uma terceira, vou começar a pensar que o rapaz quer realmente algo sério comigo.