sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Luna - Satellite of Love

Não me conformo com o nome que coloquei na minha filha: Luna. Querer aprisionar em quatro letras e designá-la antes de nascer, Luna, é assim que deverão chamá-la, assim ela será, Luna. E registrar em cartório. Não me conformo com essa ausência. É simples para mim fazer listas, enumerar, riscar. Riscar pessoas, amigos, amores, família, passantes. Primeiro listá-los depois riscá-los. Riscar lugares, calçadas, muros, ambientes, sensações, quartos, riscá-los sem preocupações, riscar nomes. Muito simples, sempre um V de verdadeiro, e assim fazer deixar de existir. E dói e é feliz saber que não posso riscar esse nome, que não se trata só de um nome como nos demais casos, que não depende de mim, porque sou eu completamente. Luna é luz, tem luz própria, não é como o satélite homônimo. É preciso manter contato diariamente para que EU não deixe de existir, ao mínimo som de sua voz petulante sentir o mundo vibrando, ouvir os nomes que ela inventa diariamente para si. E, no fim, tem uma frase brega que sussurrei enquanto tentava dormir, porque se traduz fácil: Preciso do abrigo do seus braços.

- 06:30 na Cidade de São Sebastião.