quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fico quieta.
Não escrevo mais. Estou desenhando numa vila que não me pertence.
Nao penso na partida. Meus garranchos são hoje e se acabaram.
"Como todo mundo, comecei a fotografar as pessoas à minha volta, nas cadeiras de varanda."
Perdi um trem. Não consigo contar a história completa. Você mandou perguntar detalhes (eu ainda acho que a pergunta era daquelas cansadas de fim de noite, era eu que estava longe) mas não falo, não porque a minha boca esteja dura. Nem a ironia nem o fogo cruzado.

Estou muito compenetrada no meu pânico.
Lá de dentro tomando medidas preventivas.
Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como
hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em
paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope,
deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me
assusto; dorme, dorme.
Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.


Luvas de Pelica - Ana C. (trechos)