sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um discurso muito solene de despedida.

Hoje foi um dia muito importante na minha vida - e aí você já sabe que começa uma novela mexicana. Desculpe, mas eu sou mesmo sentimental, principalmente em assuntos de, essa capricorniana, atrevo-me, vida profissional. Ontem fui ao Campus do Pici, Departamento de Economia Doméstica, onde está a coordenação do curso de Estilismo e Moda. Fui recebida com um cortejo de flores, pequeninas flores brancas em chuva sobre mim. O departamento estava vazio, todas as salas desertas... nos corredores, apenas eu e as placas. Rostos sorridentes, alguns conhecidos, procurei a minha rebelde turma, não vi placa. Ainda assim, tudo muito dramático.

Como não resolvi nada ontem, fui hoje e já está. Na Pró-Reitoria de graduação, a simpática Keila, secretária, com aquele sorriso de bom dia, certamente não leu o que me pediu para assinar:

Pelo presente Termo, eu, SIRLANNEY FREIRE NOGUEIRA, estudante do Curso de ESTILISMO E MODA da Universidade Federal do Ceará - UFC, com número de matrícula 0217301, desisto definitivamente da vaga que ocupo nesta instituição, e declaro ter ciência que a minha matrícula será cancelada definitivamente, sem nenhuma possibilidade de reabertura.

Enxugando os olhos, tive que homenagear o momento: Como dói assinar isso!
A sorridente Keila: Estava se formando?
Foram quatros anos! - suspiro. 
Então, estava se formando.
Não... com tantas reprovações, e depois, estou indo pra outra universidade federal, não tem como ocupar duas vagas em universidades federais. 
Ah, por que não?, eles nunca vão saber, nem ligar pra cá pra conferir!

Mas aí era tarde, eu já tinha assinado. Pensei em rasgar. Mas, sabe, você quer uma vaga no Estilismo da UFC? Vai lá. 

(Na verdade, não, eu não tenho ciência.)

Depois peguei três papeis carimbados e assinados. O meu histórico, o meu desempenho, o registro desses quatro anos e meio, sei lá, dos 19 aos 24. Dividido por semestres, nomes bonitos de disciplinas, Psicossociologia da Moda, História da Cultura Ocidental, Desenho de Moda, etc. Seguido de números, porcentagem de frequência e APR ou REP - Até agora não tive ânimo para contar o que deu mais. Para mim, esses papeis, cada disciplina ali  resumida pelo nome e número, tem outro valor. Cada reprovação, uma lembrança, a minha vida entregue entre o Campus do Pici e o Benfica. Voltando do bandejão depois do almoço, a comida tão indigesta, por um real. Na quintura, com o vento gostoso, me assanhando toda para mais duas ou três aulas. Feliz, pertencendo, no meio do mato e dos micos, caneta tesoura tecidos e papeis. Eu queria me eternizar.... Cada reprovação, eu nos corredores, eu nas calouradas, fazendo sexo na Casa de Cultura Hispânica, cheirando cola no C.A. de Ciências Sociais.  Fui tão torpe! É desnecessário falar como vivi, mas vivi. E isso sou eu: três papeis carimbados, desenho de moda duas vezes. Uma com o Naur, estudando mais Produção de Moda que desenho, reprovados os dois. Eu esquecia que tinha que me formar, só pode.  Eu na biblioteca, catalogando todos os livros sobre moda, os de arte na Arquitetura, e tardes inteiras na Biblioteca Central... Tão pobre a minha faculdade, tão mais torpe que eu! 

Despeço-me, minha querida turma, que se formou, que já leciona, tão talentosa! Mas que foi minha turma senão todos? Todos que me deram o ombro pra chorar ao fim de cada relacionamento... Que engataram discussões inflamadíssimas em aulas teóricas, ou simplesmente riram de minhas esquetes e fofocas. O café e o cigarrinho nos intervalos. Meus trabalhos que nunca ficaram bem-acabados, porque sem fim. Todos que os aplaudiram. Belas moças e adoráveis rapazes. 

Vou encerrar porque não tem sentido tudo isso que estou escrevendo. Ora, eu não aguentava mesmo aquela faculdade, nem por mais um dia - assim eu dizia. Ficava com as pernas levantadas, balançando na rede, no apartamento da minha irmã, depois na casa que dividia com dois junkies, depois qualquer bar
ah não, não vou, não vou, não vou pra aula!! 

Decidi deixar a adolescência. 
Agora, UFRJ. 
Sala de bate-papo com os calouros da EBA.

Bi---doidinha  diz:
Ai, to com medo do trote
Thiago gostosão diz:
Vc bebe? Vc tem namorado?
Jeanne Vasco da Gama diz:
Huuhhu, pode se preparar eu to chegando! vou pegar geral!
Mah.. brigadeiro diz:
Só tem gay na EBA.
Thiago gostosão diz:
Vc bebe Sir?
Sir says:
Não, obrigada.



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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"(...)
Después el fuego lento y bajo en la chimenea, en ellos, decreciendo y dorándose, ya el agua bebida, los cigarrillos, los cursos universitarios eran un asco, me aburría tanto, lo mejor lo fui aprendiendo en los cafés, leyendo antes del cine, hablando con Cecilia y con Pirucho, y él oyéndola, el Rubí, tan parecidamente el Rubí veinte años antes, Arlt y Rilke y Eliot y Borges, sólo que Lina sí, ella sí en su velero de auto-stop, en sus singladuras de Renault o de Volkswagen, la osezna entre hojas secas y lluvia en el flequillo, pero por qué otra vez tanto velero y tanto Rubí, ella que no los conocía, que no había nacido siquiera, chilenita mocosa vagabunda Copenhague, por qué desde el comienzo, desde la sopa y el vino blanco ese irle tirando a la cara sin saberlo tanta cosa pasada y perdida, tanto perro enterrado, tanto velero por seiscientos pesos, Lina mirándolo desde el semisueño, resbalando en las almohadas con un suspiro de bicho satisfecho, buscándole la cara con las manos, tú me gustas huesudo, tú ya leíste todos los libros, Shepp, quiero decir que contigo se está bien, estás de vuelta, tienes esas manos grandes y fuertes, tienes vida detrás, tú no eres viejo. De manera que la osezna lo sentía vivo a pesar de, más vivo que los de su edad, los cadáveres de la película de Romero y quién sería ése debajo del flequillo donde el pequeño teatro resbalaba ahora húmedo hacia el sueño, los ojos entornados y mirándolo, tomarla dulcemente una vez más, sintiéndola y dejándola a la vez, escuchar su ronrón de protesta a medias, tengo sueño, Marcelo, así no, sí mi amor, sí, su cuerpo liviano y duro, los muslos tensos, el ataque devuelto duplicado sin tregua, no ya Marlene en Bruselas, las mujeres como él pausadas y seguras, con todos los libros leídos, ella la osezna, su manera de recibir su fuerza y contestarla pero después, todavía en el borde de ese viento lleno de lluvia y gritos resbalando a su vez al semisueño, darse cuenta de que también eso era velero y Copenhague, su cara hundida entre los senos de Lina era la cara del Rubí, las primeras noches adolescentes con Mabel o con Nélida en el departamento prestado del Monito, las ráfagas furiosas y elásticas y casi enseguida por qué no salimos a dar una vuelta por el centro, dame los bombones, si mamá se entera. Entonces ni siquiera así, ni siquiera en el amor se abolía ese espejo hacia atrás, el viejo retrato de sí mismo joven que Lina le ponía por delante acariciándolo y Shepp y durmámonos ya y otro poquito de agua por favor; como haber sido ella, desde ella en cada cosa, insoportablemente absurdo irreversible y al final el sueño entre las últimas caricias murmuradas y todo el pelo de la osezna barriéndole la cara como si algo en ella supiera, como si quisiera borrarlo para que se despertara otra vez Marcelo, como se despertó a las nueve y Lina en el sofá se peinaba canturreando, vestida ya para otra carretera y otra lluvia. No hablaron mucho, fue un desayuno breve y había sol, a muchos kilómetros de Kindberg se pararon a tomar otro café, Lina cuatro terrones y la cara como lavada, ausente, una especie de felicidad abstracta, y entonces tú sabes, no te enojes, dime que no te vas a enojar, pero claro que no, decime lo que sea, si necesitas algo, deteniéndose justo al borde del lugar común porque la palabra había estado ahí como los billetes en su cartera, esperando que los usaran y ya a punto de decirla cuando la mano de Lina tímida en la suya, el flequillo tapándole los ojos y por fin preguntarle si podía seguir otro poco con él aunque ya no fuera la misma ruta, qué importaba, seguir un poco más con él porque se sentía tan bien, que durara un poquito más con este sol, dormiremos en un bosque, te mostraré el disco y los dibujos, solamente hasta la noche si quieres, y sentir que sí, que quería, que no había ninguna razón para que no quisiera, y apartar lentamente la mano y decirle que no, mejor no, sabes, aquí vas a encontrar fácil, es un gran cruce, y la osezna acatando como bruscamente golpeada y lejana, comiéndose cara abajo los terrones de azúcar, viéndolo pagar y levantarse y traerle la mochila y besarla en el pelo y darle la espalda y perderse en un furioso cambio de velocidades, cincuenta, ochenta, ciento diez, la ruta abierta para los corredores de materiales prefabricados, la ruta sin Copenhague y solamente llena de veleros podridos en las cunetas, de empleos cada vez mejor pagados, del murmullo porteño del Rubí, de la sombra del plátano solitario en el viraje, del tronco donde se incrustó a ciento sesenta con la cara metida en el volante como Lina había bajado la cara porque así la bajan las ositas para comer el azúcar."

Julio Cortázar.

:~

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Finita la Commedia


(bom saber o ibope da minha bunda...)

... parole

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

*** Vou continuar fazendo deste blog um livre caderno de notas sem importância. Até porque, meu caro, no dia que eu escrever algo realmente válido, algo grandioso ou que tenha qualquer quê de literatura, quizá comparável a Dostoievski, Clarice Lispector feliz, vendo lá do além sua substituta... Meus queridos, é claro que eu vou deixar guardadinho até arranjar um jeito de ganhar dinheiro com isso, que é o que eu preciso pra parar de explorar meu pai. E não ficar aqui publicando de grátis. Não sejam tão inocentes!

Ok, dito isso...

Querido Diário,

Estou no Ceará e é muito bom ser mãe – mas haja paciência.
O Reencontro. Oh, todo mundo quer saber do reencontro! Sem drama, meu povo. Se fosse por mim, ainda rolava. Mas, em se tratando de Luna, mesmo sendo minha filha, sangue do meu sangue, meus genes, fruto do meu ventre (e isso é tudo que eu posso dizer), no, no hay teatro. toma novela.

Eu cheguei de madrugada, horário da pobreza. Ela dormia, tão esticada, tão crescida, tão linda! - como digo desde a primeira vez que a vi, toda melada de placenta. Eu beijei naquele lugar debaixo do braço, que fica malcheiroso e cheio de pelos depois, mas que nela continua com um cheiro rosa, e disse:
- Adivinha quem tá aqui?
Ela, falando dormindo, ou fingindo:
- Eu.
...
Eu, tentando voltar ao teatro, fazendo vozinha:
- Não, Luna, quem tá falando contigo...
- Eu. – Insinuando sorriso.
- E você fala com você mesma? – já perdendo a paciência, em menos de cinco minutos – E essa voz, então, que ta falando agora contigo, de quem é essa voz?
- É da mamãe.

Nhonhom, aí você pensa: é tão bonitinha dormindo, né?

Cenas do próximo capítulo:

~ Lisbon Revisited, Fortaleza - ó mágoa revisitada! Sim, é feia, e como contrasta com o que minha mente ufanista tinha projetado.
~ Barzinho com bons amigos e as finas, que eu amo tanto... Tentando, claro, escapar dos que querem me estapear, porque eles ainda existem, por Deus, dá pra acreditar? - Sim, Si, sempre podemos acreditar na sua mania de perseguição, sem atestado nem nada.
~ Por fim, saudade dos dois pretinhos, e a promessa de nunca, nunca mais falar mal daquela cidade maravilhosa cheia de tantos mil, coração do meu Brasil. Em menos de um ano, pequenas desilusões, mas para chorar, passeios ornamentados com uma bela paisagem.
Agora, bota Luz Casal, porque só Almodovar, para entender meu drama.
Piensa en mi.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

d.r.






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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

é ano novo.

e eu só consigo pensar nas...

METAS PARA 2009

1. Aprender a escrever.
2. Ler mais
3. [nota mental da autora].
4. Comprar mais calcinhas.
5. (mais importante de todas) descobrir um jeito de ganhar dinheiro.
6. (corta a cinco) descobrir um jeito eficiente de ganhar dinheiro.
7. (corta todas) GANHAR DINHEIRO.
8. botar telefone fixo em casa.
9. Ler mais
10. Aprender a escrever.
11. Sair do Brasil
12. Comprar um carro (antes ou depois de sair do Brasil?)
13. Comprar uma casa (aqui ou fora do Brasil?)


Acho que é isso. Tá bom 13 que é número cabalístico.
Tudo bem, podemos deixar só as dez primeiras presse ano.
mas, se tudo der certo, né, quem sabe...





(aprender a escrever)