terça-feira, 7 de abril de 2009

Um sujeito de sorte.

Belchior
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado: deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado: deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorrro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado: deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

(repete)

tenho vinte e cinco anos de sonho, de sangue e de América do Sul
e, um tango argentino, por favor

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Um plano antigo.

Quarta-feira, 15 de Junho de 2005

Complexo América ou: Arthur, eu vou pro Rio!

Arthur, eu vou praí. Cansei de tudo aqui. Vou cursar cinema na UFF. A gente vai se amar loucamente nas primeiras semanas, depois eu me arranjo em qualquer lugar. Vou levando uma amiga pra dividir apartamento. E quando eu ficar bem triste, eu vou ficar bem triste aí, cansei de ser bem triste aqui. Eu sei que tudo isso te assusta, eu também não gosto de Cordel do Fogo Encantado, mas você sabe que é meu oposto perfeito, que é a calma e a paciência da minha impulsividade, que é a segurança do meu desespero. E a gente vai casar, a gente vai casar, a gente vai casar quando a gente se formar... E talvez eu enjoe de tudo depois, porque o mundo é sempre pequeno demais pra mim. Então eu vou pros esteites fazer aquelas danças toscas da Deborah Secco, pegar cem dólares e jogar tudo na máquina mais cara de algum cassino, e ganhar dez mil dólares! Aí eu compro outro marido. Depois te explico melhor, porque agora eu 'to meio desesperada aqui, tenho que terminar um trabalho de Cultura Brasileira, pra amanhã.
Beijos.